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Quando o Brasil perde, quem realmente perde?

  • Foto do escritor: Daphne Becker
    Daphne Becker
  • há 4 dias
  • 2 min de leitura

Sempre que acontece uma Copa do Mundo, parece que o país inteiro muda de ritmo. Empresas reorganizam horários, famílias antecipam compromissos, escolas adaptam atividades e, por alguns dias, o futebol deixa de ser apenas um esporte para se tornar parte da rotina de praticamente todos os brasileiros.

Independentemente de gostarmos ou não de futebol, é impossível negar que existe um movimento coletivo diferente. O comércio percebe isso rapidamente. Aumenta a venda de televisores, camisetas, bebidas, carnes para churrasco, bandeiras e inúmeros outros produtos que talvez nem estivessem nos planos de compra das pessoas algumas semanas antes.

Mas existe uma pergunta interessante que talvez pouca gente faça: o que acontece quando o Brasil é eliminado?

A primeira resposta costuma ser bastante óbvia. A tristeza toma conta das conversas, os memes aparecem nas redes sociais e o assunto Copa vai desaparecendo aos poucos. Porém, existe uma consequência muito menos comentada e que vai muito além da decepção do torcedor.

Ela chega ao comércio.

O empresário que havia reforçado seu estoque contando com mais algumas semanas de competição precisa rever seus planos. Os bares deixam de receber aquele público que lotava as mesas em dias de jogo. Vendedores ambulantes perdem movimento. Promoções planejadas para acompanhar o campeonato acabam perdendo parte do sentido.

Perceba que não estamos falando apenas de futebol.

Estamos falando de comportamento humano.

A economia nunca foi movida apenas por dinheiro. Ela também é impulsionada pelas emoções. As pessoas consomem mais quando estão felizes, quando têm motivos para comemorar ou quando criam expectativas positivas sobre o futuro. Basta lembrar que ninguém compra uma bandeira porque ela seja indispensável. Ela representa pertencimento. Da mesma forma, um churrasco durante um jogo da Seleção dificilmente acontece apenas porque existe fome. Ele acontece porque existe um motivo para reunir pessoas.

Talvez seja justamente aí que esteja uma das maiores lições para quem empreende.

Esperar que apenas fatores econômicos expliquem o consumo é olhar para uma parte muito pequena da realidade. O comportamento das pessoas influencia diretamente o mercado. Datas comemorativas, grandes eventos, vitórias esportivas e até acontecimentos culturais conseguem movimentar setores inteiros da economia porque despertam emoções coletivas.

E isso também explica por que algumas empresas conseguem crescer mesmo em momentos difíceis.

Enquanto muitos aguardam o cenário perfeito para investir, comunicar ou lançar novidades, outras entendem que a vida continua acontecendo. Pessoas continuam casando, reformando suas casas, tendo filhos, realizando sonhos e procurando motivos para celebrar.

O Brasil perdeu a Copa, mas nenhuma empresa deveria perder a oportunidade de compreender o comportamento das pessoas.

Porque vender nunca foi apenas oferecer um produto. Sempre foi entender o momento em que o cliente está vivendo.

 
 
 

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